:: GRACILIANO RAMOS

    Ramos, Graciliano (1892-1953), a modernidade de Graciliano Ramos não se relaciona com o movimento modernista ou com as modas literárias em voga no seu tempo. Escritor realista, clássico, denso, crítico e universalista, Graciliano Ramos explorou temas nacionais e regionais para expor, em suas personagens, as dores e sofrimentos comuns aos seres humanos. Sua obra se caracteriza pela poupança verbal, o parco uso de adjetivos e a sintaxe clássica, em oposição à liberdade gramatical dos modernistas e de prosadores do nordeste.
    Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo, estado de Alagoas, e faleceu no Rio de Janeiro. Viveu infância e adolescência no interior nordestino. Após curta temporada no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, regressou a Alagoas onde exerceu as atividades de comerciante e jornalista. Prefeito, em 1927, da cidade alagoana de Palmeira dos Índios, renunciou ao cargo após dois anos. No início da década de 1930, ocupou a diretoria da Imprensa Oficial e de Instrução Pública, em Maceió. Nesta época, estreou com Caetés (1933). Logo em seguida, publicou Angústia (1934) e São Bernardo (1936), uma de sua melhores obras pela agudeza com que analisa as dualidades morais do homem frente ao poder e à propriedade.
    Perseguido político durante a ditadura Vargas, Graciliano Ramos, acusado de comunista, foi preso e deportado para o Rio de Janeiro, cidade onde se fixou depois da libertação, exercendo a atividade de jornalista. Os dois anos de cadeia abalaram-lhe a saúde já frágil e renderam material para Memórias do cárcere onde denuncia as condições a que foram submetidos os opositores do Estado Novo. Memórias do cárcere, publicado postumamente, é um dos mais densos depoimentos da literatura brasileira.
    Autor de dois livros infantis (ver Literatura Infantil e Literatura Infantil e juvenil brasileira), A terra dos meninos pelados (1941) e Histórias de Alexandre (1944), Graciliano Ramos publicou, ainda, os contos “Infância” (1945) e “Dois dedos” (1945), ambos reunidos no volume Insônia, em 1947. São, ainda, de sua autoria Histórias incompletas (1946) e Vidas secas (1938), seu romance mais famoso. A Obra Completa de Graciliano Ramos foi lançada em 1961 e inclui Viventes das Alagoas, relatórios de seu período de prefeito, Linhas tortas (crônicas) e Pequena história da república.
    São Bernardo e Vidas secas transformaram-se em filmes dirigidos, respectivamente, por Leon Hirszman e Nelson Pereira dos Santos.

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