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:: MONTEIRO LOBATO
Lobato, Monteiro (1822-1948), escritor brasileiro. Apesar de ser mais conhecido por sua obra infantil — a série do Sítio do picapau amarelo —, José Bento de Monteiro Lobato foi, principalmente, um intelectual preocupado com os problemas nacionais. Seu arraigado nacionalismo, sua liderança na campanha de o Brasil restringir às companhias brasileiras o direito de fabricação do aço e de pesquisa e extração do petróleo estão presentes na maior parte de seus ensaios, contos, crônicas e romances. Com um estilo em que a linguagem é entremeada de ironia e expressões do Brasil interiorano, Monteiro Lobato é o criador da personagem Jeca-tatu, termo que se incorporou ao português (ver Língua portuguesa) falado no Brasil e que define o homem do campo, ao mesmo tempo simplório e esperto, um silencioso e compreensivo assistente da vida. Referindo-se ao Jeca-tatu, o autor definiu sua opção pelo Brasil: “Os outros, os que falam francês, esses, meu caro Jeca Tatu, esses têm na alma todas as verminoses que tu tens no corpo”.
As personagens do Sítio, publicadas após 1921, são ricas e inesquecíveis: movidos a pó de pirlimpimpim, uma substância capaz de transformar a realidade, Narizinho e Pedrinho, crianças em torno das quais acontecem as histórias, convivem com Emília, uma boneca irreverente que se tornou falante graças à pílula milagrosa do dr. Caramujo; com o marquês de Rabicó, porquinho quase sem rabo, salvo do forno por Narizinho; com o Visconde de Sabugosa, boneco de sabugo de milho feito por tia Nastácia e que revelou surpreendente inteligência: quase morreu empanturrado de álgebra (ver Lendas do milho); com tia Nastácia, exímia cozinheira, grande contadora de histórias, única quituteira do mundo que preparou gostosuras para São Jorge, na lua; com Quindim, rinoceronte fugido de um circo de cavalinhos e verdadeiro craque em gramática; com Mestre Cascudo, besouro especialista em cavar buracos; com dona Benta Encerrabodes de Oliveira, a matriarca que se tornou milionária graças ao petróleo descoberto no sítio e até com um anjinho de asa quebrada, caído do céu por descuido, acidente que armou um rebuliço: tia Nastácia o curou, Emília se apossou dele e a curiosidade geral foi tão grande que até o rei da Inglaterra enviou um almirante, comandando um navio repleto de crianças, para ver a raridade. A adaptação do Sítio do picapau amarelo para a televisão, na década de 1970, foi feita pelo novelista Benedito Ruy Barbosa. A música-tema é de autoria de Gilberto Gil.
Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, e se formou em Direito. Foi promotor e abandonou a carreira pela literatura. Em 1918, publicou Urupês, seu primeiro livro, uma coletânea de contos. Urupês chamou a atenção de Rui Barbosa que, em um discurso, citou o Jeca-tatu como exemplo da miséria e abandono a que são relegados os cidadãos brasileiros. Na década de 1920, Monteiro Lobato começou a publicar sua grande obra infantil. Entre 1926 e 1931, foi adido comercial nos Estados Unidos e, ao voltar, publicou América (1932), onde relatava suas impressões do país. Imediatamente após iniciou a campanha nacionalista que o indispôs com o Estado Novo. Monteiro Lobato foi condenado a seis meses de prisão, dos quais cumpriu metade. Após ser libertado, mudou-se para a Argentina mas voltou meses depois, cheio de saudades.
Sua obra, editada em 30 volumes — 17 de literatura infantil (ver Literatura infantil e juvenil brasileira) e 13 de literatura geral — antecipa uma revolução estética que desaguou no movimento modernista (ver Semana de Arte Moderna). Compreendendo, como poucos, a terra e alma brasileira, Monteiro Lobato renovou nossa arte narrativa. Após uma vida criativa e polêmica — é famosa a agressividade com que atacou a pintura de Annita Malfatti— Monteiro Lobato faleceu em São Paulo, SP, deixando um legado valioso que abrange romances (Negrinha, 1920), contos (Urupês, 1918; Cidades mortas, 1919), crônicas, ensaios, discursos, correspondência e principalmente literatura infanto-juvenil.
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