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Conheça o maior comedor de carne de todos os tempos
Quase tudo o que sabemos dos dinossauros veio de fósseis do hemisfério norte. lsso quer dizer que só conhecemos metade da história. A outra metade, que se desenrolou no hemisfério sul, ainda é uma incógnita. Está apenas começando a ser pesquisada. Mas o início é, no mínimo, espetacular. A prova mais recente disso foi a descoberta em 1995 na Argentina de um predador monumental. Possivelmente o maior comedor de carne de toda a história dos bichos, capaz de engolir perto de 1 tonelada entre almoço e jantar. 0 que mais impressiona é a extrema semelhança do giganotossauro com o tiranossauro, a despelto da imensa dlferença de tempo e de espaço que os separava. 0 primeiro andou há l00 milhões de anos pela Patagónla e o segundo, trinta mllhóes de anos mais tarde, em várias regiões do hemisfério norte, nenhuma delas ligada á América do Sul. Também é impressionante notar que o monstro do sul era maior do que o do norte. Claro: como só há um exemplar da nova espécie, náo dá para fazer uma comparaçáo definitiva. Mas a confiança vem de dois fatos. Primeiro, o espécime argentino é maior que o maior de todos os fósseis de tiranossauro conhecidos, um espécime de Dakota do Sul, Estados Unidos, chamado Sue. O fémur do giganotossauro, com 1,43 metros, é 5 centímetros mais longo que de Sue. Em segundo lugar, e ainda mais Importante, seus ossos sáo bem mais grossos, Indicando que ele era bem mais pesado do que Sue. A diferença é grande: estima-se que o giganotossauro era pelo menos 2 toneladas mais pesado do que a média dos tiranossauros.
A área em que o Giganotossauro ficou petrificado por l00 milhóes de anos, no noroeste da Patagónia, está se transformando rapidamente numa das capitais mundiais dos dinossaurólogos. O esqueleto do novo carnívoro é apenas a última das maravilhas guardadas por lá. A partir de 1973, as rochas antiquíssimas da regiáo revelaram a existéncia dos herrerassauros, os quais, como logo se percebeu, eram mais primitivos do que qualquer outro grupo de dinossauros. Bem antes de 200 milhóes de anos, eram minúsculos em comparação com os gigantes que vieram depois. Mediam uns poucos metros e devem ter sido dominados pelos ancestrais dos jacarés e crocodilos. O primeiro a descrever um herrerassauro, no inicio da década de 70, foi o argentino Juan Luis Benetto, mas no inicio desta década o americano Paul Sereno, da Universidade de Chicago, ampliou consideravelmente a coleção. Em 1991 Sereno estabeleceu um recorde: desenterrou o dinossauro mais artigo que se conhece, com 225 milhóes de anos. O eoraptor, como foi chamado, com apenas 1 metro, comprova a tese do aumento persistente de tamanho dos dinossauros ao longo do tempo.
Esses velhíssimos restos petrificados configuram uma hipótese importante. A de que os dinossauros do hemisfério sul precederam sistematicamente os do hemisfério norte. "Como se o sul estivesse sempre á frente do norte em termos da evolução", explica ele. O giganotos sauro reforça bastante essa impressáo porque dominou o Cretáceo médio e o tiranossauro, com traços multo semeIhantes, surgiu bem depois disso, no Cretáceo superior. O mais curioso é que nem se pode falar que um é parente do outro, Como se desenvolveram em terras isoladas uma da outra, os descendentes do giganotossauro náo poderiam ter se deslocado para o norte e se transformado no tiranossauro". Em outras palavras, as duas bestas surgiram com o mesmo aspecto, mas de maneira totalmente independente, cada uma em seu lugar.
Bem antes do giganotossauro os habitantes da Patagónia eram dominados por um outro grupo de predadores, os abelis- sauros. "Eram bem diferentes. E como desaparecem do registro fóssil, parece que foram substituidos pelos giganotossauros". Além disso, uma descoberta sensacional de 1991 mostra que, nessa mesma época, morava na Patagónia o argentinossauro, um herbívoro com dimensóes de montanha. Com l00 toneladas e quase 50 metros de comprimento, ele é o maior dinossauro que se conhece. Em resumo, a partir de l00 milhóes de anos atrás, houve uma mudança geral no modelo dos animais sulistas. E esse modelo, caracterizado especialmente pela anatomia do giganotossauro, tenha sido "copiado" pela evoluqáo na parte norte do planeta. Claro que isso é hipótese. Mas é justamente pela caréncia de dados que o novo fóssil causou impacto. Ele deve nos ensinar multa coisa sobre os grandes predadores. "Eles são naturalmente raros e quanto mais crescem, mais escassos ficam", . "Bem conhecido, só temos mesmo o tiranossauro, do qual já se desenterraram doze esquele-tos mais ou menos completos". Mas o fóssil bem preservado do giganotossauro já ampliou um pouco o material que a Paleontologia tem para analisar. E agora que se sabe que ele existe, certamente val crescer a busca de outros gigantes na terna do tango.
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